Universidade Federal de Alagoas- UFAL.
Instituto de Ciências Sociais – ICS.
Disciplina de Ciência Política 5.
Profª Belmira Magalhães
Aluna: Márcia Regina Barbosa da Silva
Glosas Críticas Marginais ao Artigo
"O Rei da Prússia e a Reforma Social". De um prussiano.Karl Marx
"O Rei da Prússia e a Reforma Social". De um prussiano.Karl Marx
7 de Agosto de 1844
O texto trata de como os governos da Inglaterra, França e Prússia estavam lidando ou tentando eliminar a miséria causada pelo caus da economia burguesa. Caus este derivado de uma péssima relação administrativa tanto burguesa como do Estado que negligencia suas responsabilidades. Para exemplificar as situações fala-se sobre o Governo da Prússia e a defesa de um prussiano sobre o comportamento de seu rei no jornal, as mudanças necessárias para resolver os problemas e a explanação de como o Estado deve portar-se para evitar e solucionar tais situações.
Márcia Regina Barbosa da Silva.
O assim chamado prussiano começa referindo-se ao conteúdo da ordem do gabinete do rei da Prússia sobre a insurreição dos trabalhadores silesianos e à opinião do jornal francês La Refórme sobre a ordem do gabinete prussiano.
La Refórme afirma que a ordem dedo gabinete real de oprimir a revolta da massa de trabalhadores (tecelões) é menos perigosa pelo fato de não ser necessário um exército para sufocá-la. Levando se em consideração o Caos causado pela péssima administração dos distritos industriais e da miséria parcial que colocava em risco toda a sociedade alemã
Se faz necessário que o inteligente prussiano compare a revolta dos tecelões silesianos com as revoltas dos operários ingleses e os tecelões silesianos lhe parecerão tecelões fortes. O suposto prussiano nega o "terror" do rei, entre outras coisas, porque bastaram poucos soldados para liquidar os frágeis tecelões.
Em uma relação geral da política com os males sociais, poderemos esclarecer que a revolta dos tecelões não causaria nenhum "terror" particular ao rei. Pois a revolta não era dirigida diretamente contra o rei da Prússia, mas contra a burguesia.
O nosso "prussiano" é ainda mais infeliz quando nega que o "sentimento religioso" seja a fonte da ordem do gabinete real.
"Num país não-político como a Alemanha", responde o prussiano, "é impossível compreender que a miséria parcial dos distritos industriais é uma questão geral e menos ainda que é um dano para o conjunto da sociedade. Para os alemães, o acontecimento tem o mesmo caráter de qualquer seca ou carestia local. Por isso, o rei o considera como um 'defeito de administração e de assistência'."
O "prussiano" atribui ainda à situação não-política da Alemanha o fato de que o rei da Prússia encontre a causa do pauperismo numa falha de administração e de assistência, os meios contra o pauperismo.
Para acabar com o pauperismo era necessário educar as crianças, era preciso alimentá-las e liberá-las da necessidade de trabalhar para viver. Alimentar e educar as crianças abandonadas, isto é, alimentar e educar todo o proletariado que está crescendo, significaria eliminar o proletariado e o pauperismo. Mas o Estado jamais encontrará no "Estado e na organização da sociedade" o fundamento dos males sociais,ou seja, jamais assumirá que falhou em suas responsabilidades e causou o problema.
Para resolver este problema é criada a Convenção. Quando o Estado admite a existência de problemas sociais, procura-os ou em leis da natureza, que nenhuma força humana pode comandar, ou na vida privada, que é independente dele, ou na ineficiência da administração, que depende dele. Assim, a Inglaterra acha que a miséria tem o seu fundamento na lei da natureza, segundo a qual a população supera necessariamente os meios de subsistência. Por um outro lado, o pauperismo é explicado como derivando da má vontade dos pobres, ou, de acordo com o rei da Prússia, do sentimento não cristão dos ricos, e, segundo a Convenção, da suspeita disposição contra-revolucionária dos proprietários. Por isso, a Inglaterra pune os pobres, o rei da Prússia admoesta os ricos e a Convenção guilhotina os proprietários.
O Estado não pode acreditar na impotência interior da sua administração, isto é, de si mesmo. Ele pode descobrir apenas defeitos formais, casuais, da mesma, e tentar remediá-los.
Robespierre vê na grande miséria e na grande riqueza um obstáculo à democracia pura.
O prussiano - se tivesse maior familiaridade com a história dos movimentos sociais - teria formulado a sua pergunta ao contrário. Por que também a burguesia alemã vê na miséria parcial uma miséria relativamente tão universal? De onde provém a animosidade e o cinismo da burguesia política, de onde provém a falta de resistência e as simpatias da burguesia não-política para com o proletariado?
Deve-se admitir que a Alemanha tem uma vocação tão clássica para a revolução social quanto é incapaz de uma revolução política. Com efeito, assim como a impotência da burguesia alemã é a impotência política da Alemanha, assim a disposição do proletariado alemão - ainda que prescindindo da teoria alemã - é a disposição social da Alemanha. A desproporção entre o desenvolvimento filosófico e o desenvolvimento político na Alemanha não é nenhuma anormalidade. É uma desproporção necessária. Somente no socialismo pode um povo filosófico encontrar a sua práxis correspondente e, portanto, somente no proletariado o elemento ativo da sua libertação.
O prussiano não consegue enxergar as falhas administrativas e nem mesmo o poder que uma revolução organizada possui para forças mudanças. O "prussiano" fecha dignamente o seu artigo com esta frase:
-"Uma revolução social sem alma política (isto é, sem uma visão organizativa do ponto de vista da totalidade), é impossível".
Gostaríamos de confidenciar ao "prussiano" o que é "uma revolução social com uma alma política"; com isso também lhe revelamos o segredo de porque ele não consegue, mesmo nos seus torneios estilísticos, elevar-se para além do limitado ponto de vista político
A revolução em geral - a derrocada do poder existente e a dissolução das velhas relações - é um ato político. Por isso, o socialismo não pode efetivar-se sem revolução. Ele tem necessidade desse ato político na medida em que tem necessidade da destruição e da dissolução. No entanto, logo que tenha início a sua atividade organizativa, logo que apareça o seu próprio objetivo, a sua alma, então o socialismo se desembaraça do seu revestimento político.
Nenhum comentário:
Postar um comentário